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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “A nossa vida, caros ouvintes é uma coisa delicadaâ€
03/04/2023

Hoje tradicionalmente é o dia da mentira. Não sei explicar, com sinceridade o porquê esse dia é ridicularizado por um instrumento humano tão ridículo.

A mentira vem ao mundo, segundo a Bíblia Sagrada, no momento em que Caim, irmão de Abel tira-lhe a vida por motivo fútil, isto é, a inveja. Abel segundo as Escrituras oferecia a Deus suas ofertas que eram aceitas. Caim ao contrário, nada oferecia. Assim sendo as ofertas de Abel eram bem-vindas; as de Caim não, pois não eram de amor. Caim foi expulso do Paraíso e se perdeu mundo afora. Com isso, nasceram os filhos de Caim ainda hoje presentes em nossas vidas, e continua a distribuir seus males vida afora. Com o tempo Deus prometeu mandar ao povo um Salvador, Jesus Cristo, seu filho amado. Incompreendido pelo povo de seu tempo foi crucificado e morto numa Cruz. O resto da história vocês conhecem.

Com a liturgia deste domingo é aberta a semana que chamamos de Semana Santa, ou Semana Maior. O Evangelho nos convida a viver a mesma humildade, amor e paciência que o próprio Cristo viveu. Ele tem o poder de sair dessa situação, mas em nome do projeto do Reino de seu Pai, entrega-se e confia. Não devolve violência para quem age com violência. Não condena Judas, mas é a própria consciência quem lhe condena pela traição. As leis que são utilizadas para o egoísmo e a manutenção de um poder que condena e maltrata já não tem mais poder sobre nós, pois a Cruz nos deu a ressurreição. Que o calvário de Jesus possa ajudar e suavizar as nossas dores e a de nossos irmãos e irmãs e assim apontarmos sempre para a Páscoa, a ressurreição, que deve ser diária.

Durante essa Grande Semana, temos a Sexta-feira Santa. Poderemos observar e acompanhar o relato da Paixão descrito por João o que fica evidente é a aceitação de Jesus diante das circunstâncias. Não há revolta, murmuração nem contestação.

Na adversidade não se vale do poder quem vem do alto, mas mantém a humildade.

Em face do medo, apresenta-se e enfrenta seus inimigos com retidão e espírito.

Essa postura de Jesus é decorrente da máxima coerência entre pensamento e ação, pois seu comportamento está embasado na sua pregação. Um apostolado marcado pela entrega e pelo amor. Assim o Cristo vive e assim é crucificado. A ausência de conflitos internos, resultado dessa lógica existencial, permite que enfrente com extrema serenidade os penosos momentos que antecedem sua execução e a aflitiva tortura da morte no madeiro da cruz.

Hoje adentro de um assunto difícil, eu sei. É um terreno escorregadio onde a gente pode quebrar a cara. Existem mil pontas que picam, e arestas que cortam. Tem meandros onde a gente se confunde, e labirintos onde a gente se perde. É objeto de estudos de teólogos importantes, e diante deles, quem sou eu.

Mesmo assim, porque afinal sou gente como qualquer outro ser humano, me deu vontade de tocar neste assunto tão delicado. É o preconceito burro ou cruel com que instituições podem esmagar nossa pobre humanidade. Tantas vezes já li sobre este assunto e, neste momento sou obrigado a acreditar: oficialmente a nossa Igreja Católica ainda considera a homossexualidade uma doença, usar camisinha é pecado, e evitar filho – a não ser com aquele falibilíssimo método “natural” – também é pecado. Mais: não adiantaria usar camisinha nem para se proteger da doença previsível como sabemos. E ainda, porque afinal a camisinha fura e daí....

Alguns teóricos famosos ou compassivos tentam escapar com argumentos variados. Todos ao fim e ao cabo caem nas malhas da grande Mãe condenatória: amou fora do casamento, amou alguém do mesmo sexo, usou de algum artifício para não ter filho por ano, ou para se proteger de alguma doença que pode ser mortal – vai para a fogueira, ainda que seja uma metáfora.

A vida há de nos cobrar duramente por considerarmos pecado o amor que não se enquadra em nossa visão mesquinha; por querermos medir comportamentos segundo nossos padrões poucos generosos; por querermos prender, humilhar, podar todo o relacionamento que não se adapta à medida da nossa ignorância e dos farisaicos valores.

Por que o amor, do jeito que pode ser, é o caminho da liberdade e da grandeza – é a nossa única possibilidade de salvação. Já pensou nisso, caro ouvinte? Saber encontrar a alegria na alegria dos outros é o segredo da felicidade. Por tudo isso, nossa vida é uma coisa delicada. Delicadíssima. Pensem também nisso!








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