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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Natal: uma dádiva do alémâ€
02/01/2023

O Natal só se ilumina mesmo por causa das crianças, as pequenas e as adultas, como se concluiu o francês Georges Bernanos, que morou no Brasil e que escreveu, enquanto aqui permaneceu, alguns de seus melhores livros, tais como o “Diário de um Pároco de Aldeia”. Para ele, os adultos são apenas o reflexo dos meninos que já foram. Conduzido pelas crianças, o Natal afastou-se muito de seu sentido religioso original da celebração do nascimento do Menino Jesus para se tornar o momento grandioso da chegada de Papai Noel com seu trenó puxado por renas de nomes esquisitos e lindos – como Vaxten, Comet, Cupid e Rudolph, a mais famosa de todas as renas, aquela que graças ao seu nariz vermelho e brilhante foi a única capaz de guiar Papai Noel numa noite de Natal de grossa cerração no mundo. Rudolph, diz a lenda, garantiu a alegria de milhões de crianças. E milhões de crianças em todo mundo acreditam piamente neste feito heróico.

As crianças sofrem terrivelmente quando seus dias especiais, dias em que elas são o centro do mundo que são desprezadas pelos adultos. Aniversários e formaturas fazem parte desses dias. Mas o Natal é o mais mágico de todos, pois nesse dia a criança não apenas sente o núcleo familiar amalgamado em torno dela com o aconchego da árvore, dos enfeites dos presentes, mas principalmente, tem a sensação de que alguém lá de cima gosta muito dela. O Natal é uma dádiva do além para elas. A criança realiza no Natal uma comunhão com as mais altas esferas da sua imaginação. O Papai Noel se confunde com um ser sobrenatural com seus anjos da guarda, com os espíritos benfazejos de seus antepassados.

O Natal é como se fosse aniversário de todo mundo. Nenhuma explicação intelectual pode substituir as satisfações emocionais que a crença no bem velhinho de barbas brancas traz às crianças. Não se pode querer que as crianças enxerguem o mundo como os adultos. Isso só gera confusão na cabeça delas. O Natal é uma data sacerdotal para elas. Um dia em que os anos dizem amém às suas fantasias.

Um dia em que elas vão receber um presente real – um videogame, um par de patins, uma bicicleta ou uma boneca – dados por um ente imaginário, Papai Noel.

Essa dialética fermenta de modo maravilhoso as mentes das crianças, dá-lhes segurança, certeza de que seu mundo é mesmo colorido como nos sonhos e nos contos de fada. As crianças tomam o mito ao pé da letra. As renas, animais das latitudes altas e geladas, passeiam alegremente no verão brasileiro. O traje de Papai Noel é muito adequado mesmo que tenha sido feito para ele viver no Polo Norte.

As canções são americanizadas, falam de trenós e bonecos de neve. Tire os adultos dessa equação e ela se fecha com perfeição na cabeça das crianças. Lá em cima alguém que gosta muito delas está zelando para que a Noite Feliz seja mesmo um dia de paz celestial. Do ponto de vista antropológico, o milagre do Natal, a razão de sua resistência pelos séculos e de sua crescente universalização, é o mesmo milagre que perpetua a família.

O homem é o animal cujos filhotes amadurecem sexualmente mais tarde. Por isso os filhos têm mais tempo para aprender com os pais e receber deles o carinho e afeição que lhes vão agasalhar a alma o resto de suas vidas. Do ponto de vista da criança, aos pés da árvore e Natal, sonolenta, cercada por seus mais íntimos no instante da ceia, o milagre é o da certeza de que o mundo está nos eixos, ninguém precisa consertá-lo, tampouco ela. O milagre é a promessa de que o mundo e a vida futura serão tão gratificante quanto aqueles momentos. Um dia, no futuro, os adultos, confrontados com os solavancos do mundo real, vão se refugiar nessa criança, o que foram. E lembrem-se: “Ontem nasceu nosso Salvador. Não pode haver lugar nenhum para a tristeza, enquanto acaba de nascer a própria Vida, a mesma que põe fim ao temor da imortalidade e nos infunde a alegria da eternidade”. O maior de todos os conquistadores na face da terra conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que Lhe cabia operar. Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações. No entanto, buscou-as, espontâneo, alisando-se nocasebre de animais. Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador. Contudo, entrego-lhes confiante, a Divina Palavra. Não desconhecia que contava, simplesmente, com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhes vibravam na plataforma sublime e abraçou-os tais quais eram. Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as boas-novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo. Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava. Entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade com brandura e entendimento. Permanecia convicto de que as nações de verdade e amor que veiculava levantariam contra ele as matilhas da perseguição e do ódio.

Todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa. O suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz. É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente, entre os homens, mas acima de tudo, é a reiterada mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, que é o nosso dever amá-lo e ajudá-lo mesmo assim. Pensem nisso e um Abençoado Ano Novo a todos que nos acompanham pela Pontal FM, a Rádio que é a sua cara.








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