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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana "PRIORIDADES"
20/10/2022

Prioridades. Bem que a gente podia fazer uma reforma para valer. Reforma de verdade, não essas dos políticos e dos papéis, mas alguma coisa pessoal. Vital. A reforma das nossas prioridades. Cansei de ouvir todo mundo reclamando que não tem tempo nem para respirar, nada mais de conversas à mesa, nada mais de passeio tranquilo, muito menos de sossego em família. Marido, mulher, namorados, casais, amigos, todo mundo corre afobadíssimo para cumprir mil tarefas: das quais certamente novecentos e noventa e nove seriam dispensáveis se a gente examinasse direito, uma por uma, não é mesmo?

Tempo é dinheiro, diziam os pragmáticos, e isso se torna uma lei universal. A conta do banco, o colégio dos filhos, o plano de saúde (num país onde o INSS é meio suicídio andado), o restaurante e o bar, a roupa lavada, a roupa de grife e abolsa, até a mochila escolar do momento, sem a qual, é claro, o filho não garante nem que consiga passar de ano. A lista é longa, segundo a preferência de cada um.

Fico imaginando que se a gente fizesse uma faxina em nossos compromissos e deveres, boa parte desapareceria ligeiro no ralo do bom senso, e desapareceria para todo o sempre no nebuloso das nossas iniquidades mais banais. Sobrariam alguns compromissos, dos quais não há como fugir: provavelmente, saúde, prestação de apartamento, escola (a pública estando como está) e alguns outros (poucos, talvez).

Comprar é um dever, quando não se trata do indispensável ou do que faz bem.

Comprar pode ser, e tem sido em grande parte moda, mania, ou quase neurose.

Andar com a roupa do momento pode ser burro e pobre: por que quase todas as meninas parecendo fantasiadas para desfilarem no mesmo bloco? Por que todas com a mesma sandália só porque alguém na televisão as usou? Por que pais e mães se sacrificam para poderem dar aos meninos e meninas alguns absurdos caros, talvez ridículos? Não quero que meus netos e netas andem muito diferentes da turma. Mas não desejaria que seus pais trabalhassem mais horas do que o necessário para lhes permitir algumas insanidades.

Não acho que os casais precisam ter apenas, para o seu encontro, as poucas horas da noite, exaustos do dia intenso, das horas extras, quem sabe até do trabalho no fim de semana. Se for para sobreviver com dignidade, paciência: muitas vezes tem de ser. Mas muitíssimas vezes não precisariam ser assim. Labutamos como animais para além do que seria humano, e para aquilo que nem é importante: para o fútil excessivo (um pouco de futilidade, sim, ou nos desumanizamos), para o mais do que ser tolo (um pouco de tolice, sim, ou viramos estátuas).

Uma hora menos de trabalho extra por dia – não vou poder comprar aquele tênis importado caríssimo, o menino vai emburrar – pode significar uma hora de carinho, de convívio a mais. Um fim de semana menos de trabalho extra – mas como vou dar aquela roupa caríssima, a menina vai se frustrar, em ter o cursinho de inglês, e de nem me lembro mais do quê... e a mulher quer aquelas férias naquele hotel caro, e chegou a hora de trocar o carro... pode representar um encontro onde a gente vai enxergar de verdade o filho, o irmão, a companheira e o amigo. Ou a si mesmo, ficando quieto na rede, na praça, até mesmo na cama, pensando. De bobeira, Olhando a nuvem passar, o galho de flor na janela, deitado na grama ou na areia com a cara no sol, sentindo o mundo respirar, e fazendo parte desse ritmo intenso. Sentindo que somos gente, dentro de algo misterioso chamado vida. Reformulando nossos planos, tentando saber o que queremos para nós. Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar do trabalho extra, que está me matando. E, ainda, por cima detesto. Não sou um otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais de meus jeans, camisetas e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranquilo e mais divertido. Sapato e roupas simbolizam bem mais do que isso que são, isto é: representam uma escolha de vida, uma postura interior.

Eu, modestamente, nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas ao me amadurecer na vida e para a vida me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e no bolso também. Resistir a certas tentações é burrice, talvez; mas fugir de outras pode ser crescimento e muita alegria, com certeza.

Meu conselho neste espaço é que cada um examine o baú da prosperidade, e faça a arrumação que quiser ou puder. Que seja para aliviar a vida, o coração e o pensamento – não para inventar de acumular ali mais alguns compromissos estéreis e mortais. Portanto, amigos e ouvintes ter prioridade na vida, nos negócios e na família são elos que se unem para o engrandecimento e crescimento do ser humano num todo. Já pensou nisso? Não! Então pense, pois o tempo não espera. A hora é agora. Ah! Amanhã vou pensar nisso. Deixar pra depois poderá ser tarde demais.

Dentre uma das maiores prioridades do mundo moderno é lembrar que hoje é o dia dos professores. Abnegados seres humanos que dão a vida pela educação infantil, primária, secundária, terciária e superior e além mar. São os professores os ícones de uma pátria como o Brasil, onde a educação escolar caminha a passos de tartaruga e, mesmo assim, produzem seres humanos da mais alta qualidade e valor.

A vocês heróis e heroínas da educação nossos parabéns pelo seu dia. Tenham certeza de que dias melhores virão e vocês serão reconhecidos e valorizados como merecem. Meu abraço a você neste magno dia.








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