A primeira segunda-feira de novembro (5) foi bastante movimentada no Centro de Especializações Odontológicas (CEO) de Itabira. A pedido da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a médica especializada em Urgência, Emergência e Terapia Intensiva, e integrante dos corpos clínicos do Samu, Pronto Socorro Municipal de Itabira (PSMI) e do Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) Luciana Caldas Fontes Martins, ministrou um treinamento do projeto voluntário Mãos que Salvam para 18 dentistas.

Idealizadora do projeto que busca treinar leigos para uma abordagem adequada e imediata de vítimas de parada cardiorrespiratória (PCR) e de parada respiratória por obstrução das vias aéreas por corpo estranho ou engasgo (OVACE), Luciana Caldas explicou que pretende treinar o maior número de pessoas e, com isso, aumentar as chances de sobrevivência das vítimas. Segundo ela, 80% das PCR súbitas ocorrem fora do ambiente hospitalar (diferente da parada cardiorrespiratória do paciente que já estava com alguma doença).
“É muito importante para nós, como sociedade, estarmos treinados pro primeiro atendimento antes mesmo do SAMU chegar. E se esta vítima receber socorro imediatamente, triplicamos sua chance de sobrevivência e com desfecho neurológico favorável. Por isso, é importante ressaltar que o ideal é termos uma sociedade com muitas pessoas treinadas, para que a ocorrência do evento possa ser presenciada por alguém que possa socorrer. Só alcançaremos isso treinando mais e mais pessoas”, disse.

Para o treinamento, são utilizados manequins específicos e aparelhos como o desfibrilador externo automático (DEA) – tratamento de primeira linha para vítimas de PCR por arritmia. Durante a prática, dentre questões como manobras de desengasgo (Heimlich), por exemplo, a médica esclareceu ainda que o infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal causa de PCR nos adultos fora do hospital. Luciana Caldas também esclareceu que se uma vítima de OVACE não for socorrida rapidamente, o quadro evolui para uma PCR.
“Como eram dentistas, ou seja, profissionais da saúde, fizemos adaptações nesta capacitação, aprofundando ainda mais as discussões em relação ao treinamento que fazemos com pessoas leigas. Mas, o ideal é termos uma sociedade com muitas pessoas treinadas para que saibam socorrer quando presenciarem essas ocorrências”, declarou.
Ainda de acordo com Luciana Caldas, no Brasil não existe a cultura do treinamento de pessoas em primeiros socorros. Com isso, muitas vidas são perdidas por falta de conhecimento técnico. “Infelizmente em nosso país não temos essa cultura como em outros lugares. Mas, vamos fazendo a nossa parte. Nossa intenção é treinar escolas, academias, clubes, associações de bairro, ou seja, todos aqueles que quiserem ser treinados. Quanto mais pessoas qualificadas, mais chances as vítimas terão de serem socorridas adequada e imediatamente por alguém que esteja ao seu lado. Este é o plano”, concluiu a médica.
Para a secretária municipal de Saúde, Rosana Linhares de Assis Figueiredo, capacitar os profissionais da saúde é um investimento na qualidade da prestação dos serviços oferecidos. “Primamos por oferecer aos servidores todas as capacitações possíveis. Investir no profissional significa oferecer à população mais qualidade na prestação dos serviços ofertados”.