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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Somos ou não somos eternos aprendizes da vida?â€
29/01/2018

Lá na Gabiroba onde nasci e, principalmente vivi, hoje, talvez o mais populoso bairro desta Terra de Tutu Caramujo, existia, nos meus tempos de criança, um senhor já idoso de nome José Alves da Cunha, que a mamãe dizia que era seu primo. Era um homem alto, cor clara, barba sempre por fazer, corpo às vezes encurvado pela idade, vestia-se de cor preta, um boné tipo marinheiro preto na cabeça que todos o consideravam um doido varrido e tínhamos um medo terrível dele. Após aposentar-se na fábrica de tecidos, onde havia trabalhador por anos a fio, vivia sempre escondido num quarto escuro, horas e mais horas do dia, quando não, em tocas de barrancos para fugir das pessoas. Conversava com poucas pessoas, mamãe era uma delas. Como a fábrica fornecia almoço e jantar para os empregados e ex-empregados, lá aparecia ele nos horários propícios para apanhar suas refeições e seguia sua rotina de se esconder nas tocas até o anoitecer, quando retornava para se recolher ao seu habitat. Era considerado um louco varrido porque sempre vivia falando sozinho e nas suas falas dizia que iria construir um avião para desaparecer deste mundo.

Certa vez, eu e José Nélson meu irmão adentramos ao seu quarto escuro para conversarmos com ele, e ele com os olhos esbugalhados contou-nos a seguinte estória: “Que um sábio africano, um dia conduziu um seu aprendiz por uma floresta muito densa”. “Embora, muito mais velho de que seu aprendiz caminhava com agilidade, enquanto seu aprendiz escorregava a todo instante pelas relvas da floresta”.

“O aprendiz blasfemava a cada tombo, levantava-se, cuspia no chão traiçoeiro, e continuava a acompanhar seu mestre. Depois de longa caminhada, chegaram a um lugar sagrado. Sem parar, o sábio deu meia-volta e recomeçou a viagem de volta. Momento em que o discípulo pergunta ao mestre: Você não me ensinou nada hoje, levando mais um tombo. – Ensinei sim, respondeu o mestre, mas parece de que você não aprende. Estou tentando lhe ensinar como se lida com os erros da vida. – E como lidar com eles?, – pergunta, curioso o aprendiz. – Como deveria lidar com os seus tombos – responde o sábio homem. – Em vez de ficar amaldiçoando os lugares onde você caiu, deveria procurar conhecer aquilo que o faz escorregar e cair”.

O tempo passou meus amigos e esta estória até hoje ressoa no meu consciente, guardada em meu inconsciente. “Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece”, conforme escreveu certa vez o pensador Aldous Huxley que viveu de 1894 a 1963, que dele exercito para meu viver no conto do meu parente, primo de minha mãe. Trazendo a estória real para o hoje temos observado que, ultimamente, como é grande o número de pessoas revoltadas, irritadas e estressadas que conheço. Se você se encaixa nesse perfil, saiba que está na lista dos indivíduos que considero “os desperdiçadores da vida”, porque não percebem o tempo que perdem nas lamúrias, nas críticas e nas condenações, como se tais atitudes pudessem mudar a realidade em que vivem... Inevitavelmente, o que pode mudar positivamente sua vida não são as opiniões e queixas, e sim, a sua mudança de atitude.

Estamos neste mundo para aprender, cada vez mais, com nossas experiências, sejam elas positivas ou negativas, mas, de qualquer forma, sempre podemos aprender alguma lição. O mundo é uma verdadeira escola, e precisamos nos esforçar e ter preparo para “passarmos de ano”, sermos promovidos, e alcançarmos o sucesso. Nada se consegue sem esforço, sem dedicação, sem paciência, que são os traços marcantes dos vencedores.

Temos visto no Brasil de hoje tantas denúncias de corrupção, tantas asneiras contra a importância da honestidade, como se os corrutos e corruptores fossem os responsáveis pelos resultados de nossas vidas... Usam os maus exemplos como desculpas quando escolhem o caminho do erro, da contravenção, da desonestidade e a falta de ética. São pessoas que não sabem que tudo que oferecem ao Universo, de bom ou de ruim, sempre volta para elas multiplicado... Já pensou nisso. A Lei do Retorno é inevitável. Para vivermos melhor, sem aborrecimentos tanto com os outros, ou conosco mesmo podemos guardar para sempre: nenhum fato em si e nenhuma atitude podem nos atingir sem a nossa permissão. A estória acima nos ensina que devemos ser sempre um aprendiz da vida, mas para tanto é necessário nossa permissão. Permitindo-nos colocar na posição de um aprendiz da vida, com postura, humilde de quem está neste mundo para aprender e servir, para crescer e, finalmente, para vencer! Que todos os aborrecimentos do seu dia a dia sejam direcionados para que você reflita onde há possibilidade de mudanças, não só de seus padrões de pensamentos, mas, principalmente, das suas atitudes diante da vida. Porém, é importante que você, caro ouvinte, desenvolva em sua vida o hábito de agradecer. Ser grato às pessoas à sua volta e ao Universo, que amorosamente nos acolhe. Esse gesto da gratidão é um ato de inteligência, porque a gratidão é um ímã que traz até você muito mais motivos para agradecer. Portanto, meu irmão, minha irmã, meus amigos deixem a arrogância e assuma cada um, de uma vez por todas, seu papel de aprendiz da vida, com humildade, ética e sabedoria dos verdadeiros sábios que sabem que nada sabem. Pensem nisso. O primo de minha mãe, José Alves da Cunha, sem dúvida alguma foi um sábio que sabia que nada sabia e como um doido varrido que era hoje na eternidade goza de viagens intermináveis no avião de sua sabedoria.

ÓTIMA SEMANA PARA TODOS!!!








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