NOVA ERA(MG)- Na tarde desta terça-feira, 23 de maio de 2017, Policiais Federais (PF) foram até a cidade de Nova Era e fecharam por tempo indeterminado o Garimpo de Capoeirana, localizado as margens da rodovia MGC-120 na zona rural da cidade.

Segundo informações os Policiais chegaram no vilarejo e pegaram os Garimpeiros de surpresa, Segundo informações, no local os Federais constataram diversas irregularidades, inclusive de crimes ambientais. Todas as entradas das minas de extração de pedras preciosas foram lacradas pelos Policiais.

De acordo com informações o clima é de tensão na região, alguns garimpeiros disseram que constituíram famílias no local e vivem da extração das pedras para sobreviverem, alguns buscavam informações de quanto tempo ficaram impossibilitados de trabalharem.

CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DO GARIMPO
O Garimpo localiza-se a 13 km do centro de Nova Era. Antes da descoberta das pedras chamava-se, simplesmente, Pastinho. No princípio do século XX, o proprietário era Joaquim da Mata, c.c. Deolinda da Mata. Por volta de 1918, Joaquim vendeu para seu genro Aníbal Isidoro da Silva, natural de Itabira, recém casado com Maria Rosa de Lima. Aníbal construiu sua casa de morada, dois moinhos de fubá e uma casa para o caseiro.
Viveu do desmatamento, fazendo carvão que era vendido para a firma J. Moreira & Irmãos, que, por sua vez, abastecia as locomotivas da recém-construída EFVM e da Central do Brasil.
Quando acabou o mato Aníbal foi trabalhar na construção do trecho Drumond/Itabira, da estrada de ferro Vitória a Minas.
Em 1944 ele vendeu o terreno para José Januário Siqueira c.c. Tereza Zacarias Siqueira e foi para Dionísio tocar novo serviço de carvão.
José Januário trabalhava na manutenção do trecho da EFVM.
No início da década de 1970 ele instalou um dínamo para gerar 110 w de energia elétrica para uso doméstico. Trabalhou até 1978 e, após aposentar-se na Vale, dedicou-se a garimpar numa lavra no ribeirão São José, com mais três companheiros aposentados.
Em 1988 Adair Martins Guerra descobriu esmeraldas no Córrego do Mamão. Foi a data de nascimento da comunidade do Garimpo. A notícia rapidamente se espalhou. O afluxo de garimpeiros vindos de várias partes do Brasil, principalmente do Nordeste, da Bahia e de Goiás, provocou verdadeiro congestionamento num local sem nenhuma infraestrutura.
A partir daí, devagarzinho, a localidade foi-se estruturando.
O garimpo estruturou-se em duas cooperativas: a COOGEMIG e a COOPERANA. Hoje sobrevive apenas uma. O Garimpo de Capoeirana já ganhou o reconhecimento de especialistas por sua qualidade e pelo tamanho de suas pedras. Incrustadas em cristais de esmeraldas, as pedras possuem dimensões centimétricas e dessimétricas, e peso variando de gramas até o máximo de 23 quilos, mas sua maior ocorrência situa-se entre 100 e 300 gramas.
São pedras de intensa tonalidade verde, ótima cristalização, transparência e dureza. Além de beleza indiscutível.
Esta pedra tão cobiçada por seu valor e desejada por sua beleza é, hoje, motivo de orgulho para Nova Era, mas, para que sua exploração retorne em benefícios para a cidade, é necessário implantar um programa de qualificação de mão de obra em design, lapidação e ourivesaria, visando a beneficiar e industrializar a produção. Consequentemente, a cidade se transformaria num polo de pedras preciosas, realizando feiras e agregando valor à cadeia produtiva local. É a próxima meta a ser conquistada.
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