Para sempre. Barreto Coutinho, médico pernambucano deixou gravado para a eternidade, e eu, simples servo dos servos transcrevo: “Eu vi minha mãe rezando aos pés da Virgem Maria. Era uma Santa escutando o que a outra Santa dizia”.
Já Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta mor escreveu: “Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba; veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento. Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, embora já velho será sempre pequenino feito grão de milho”.
Ser mãe… Eis o trabalho mais difícil da face da Terra. Ser mãe é seguir o turno de 24 horas, 7 dias por semana. É estar acordada quando o resto do mundo dorme. É amamentar na madrugada e ver as luzes das janelas se apagando, até que só reste a sua. Ser mãe é cheirar a leite por vários meses (e detestar!). E morrer de saudades de dar o peito, quando o filho desmamar. Ser mãe é aprender a trocar fralda no escuro. Com direito a passar creme ante assaduras, claro!
Ser mãe é preparar a primeira papinha com o maior cuidado do mundo, e levar um cuspe de volta. Ser mãe é comer comida fria, é ser a última a se servir. Ou mesmo deixar de comer, para dar sua parte ao filho que necessite.
Ser mãe é querer que o filho se arraste, engatinhe e finalmente consiga andar. E quando ele aprende a correr, sentir saudades do bebezinho que ficava o dia todo em seu colo. Ser mãe é nunca mais olhar para um termômetro que marca 37 graus do mesmo jeito. É passar a noite segurando a mão do pequeno, para se assegurar de que a febre passou. Ser mãe é morrer de vontade de chorar ao ver o filho doente. E segurar a onda e sorrir, para não preocupá-lo.
Ser mãe é acordar cansada, depois de uma noite mal dormida. E apesar disso fazer tudo do mesmo jeito: dar banho, comida, brincar, trabalhar, cuidar da casa, e colocar o filho para dormir.
Ser mãe é se perguntar quando passará novamente um dia sem ouvir choro. Ser mãe é viver eternamente vendo o filho, mesmo que já sendo homem formado a eterna criança que de dentro de si sussurra-lhe sonhos e devaneios.
Ser mãe é querer viajar sozinha, mas abrir mão disso até ter certeza de que seu filho ficará bem sem ela. E quando esse dia chegar, contar os dias para receber o abraço da volta.
Ser mãe é exercitar a paciência diariamente. E perdê-la de vez em quando, entre uma crise de birra e outra.
Ser mãe é ouvir do filho as mesmas palavras que lhe ensinou. E perceber que não basta falar, é preciso dar exemplo.
Ser mãe é sentir culpa por querer voltar ao trabalho. Ou largar tudo para cuidar de um filho necessitado de sua presença ou, necessitar de um trabalho extraordinário.
Ser mãe é aprender que, com duas mãos, é possível executar muito mais do que duas tarefas. Atender ao telefone, empurrar o carrinho, abrir a porta, escrever um bilhete, e dar a última colherada do prato são só alguns exemplos das combinações possíveis. Ah, mas ser mãe também é… Sentir aquela mãozinha tão pequena e tão forte, que segura seu dedo como que querendo dizer: “ei, estou aqui, agora você não está sozinha!”. É poder afagar por alguns anos os cabelos de um pequeno anjo, enquanto ele está sob suas asas. É acordar pela manhã com um abraço apertado, como se não se vissem há muitos anos! O mesmo vale para a saída da escola. Ser mãe é mostrar uma flor ao filho, e reparar em sua beleza, como há tempos não fazia. Ser mãe é se emocionar na primeira vez em que vê o filho repartindo o biscoito. Ser mãe é ter direito de chorar na apresentação da escola, do ballet, no campeonato de natação, no futebol sem que ninguém a estranhe por isso.
Ser mãe é ter a casa cheia de risadas e de gritinhos de felicidade. É lembrar como se brinca de carrinho, de boneca, de esconde-esconde, de pega-pega.
Ser mãe é adquirir a coragem de fazer o que seu coração realmente deseja. Porque não há mais espaço para covardias dentro de si.
Ser mãe é tentar ser uma pessoa melhor a cada dia. Porque seu filho merece uma mãe que se aprimora com o tempo. Ser mãe é descobrir que o coração é um espaço infinito. E que quanto mais se ama, mais amor cabe ali dentro.
Conta-se que certa vez um filho perguntou a Deus em oração porque as mães choram com tanta facilidade. Ao que Deus respondeu-lhe: “Quando eu criei a mulher, tinha que fazer algo muito especial. Fiz seus ombros suficientemente fortes, capazes de suportar o peso do mundo inteiro. Porém, suficientemente suaves para confortá-lo. Dei a ela a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar da sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando os outros entregam os pontos. Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito... Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza, choro ou sofrimento da criança, e compartilhar as ansiedades, dúvidas e medos da adolescência. Porém, para que possa suportar tudo isso, meu filho, eu lhe dei as lágrimas, e são estas exclusivamente suas para usá-las quando precisar. Ao derramá-las, a mãe verte em cada lágrima um pouquinho de amor. Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade”. Mãe é mãe, por isso saudamo- nos lá neste importante dia, o Dia das mães. Parabéns mães de toda Itabira e Região e Região Leste, pois este é o seu dia: O Dia das Mães.