SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO CIDADE DAS FESTAS PODE PEDIR EMPRÉSTIMOS DE 15 MILHÕES AO BDMG
A cidade das festas gratuitas aparentemente começou a perder as forças financeiras. São Gonçalo do Rio Abaixo, que mesmo em épocas em que cidades vizinhas já demonstravam passar por crises financeiras, se manteve visivelmente como uma das mais ricas na região, com contratações de artistas de renome que abrilhantavam as festas tradicionais promovidas pela Prefeitura da cidade, com entrada sempre gratuita.
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UM POUCO DA HISTÓRIA DE SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO
O Distrito de São Gonçalo do Rio Abaixo foi criado em 1880 pela Lei Estadual nº 471 e o Município em 30 de novembro de 1962 pela Lei Estadual nº 2764.
Desde 2006, a Vale S.A. explora o minério de ferro na região, aumentando a arrecadação e o desenvolvimento local. Porém a recessão econômica iniciada em 2014 desacelerou as operações mineradoras, causando desemprego e quedas de receita pelo país.
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O Asnoticiasonline esteve na cidade por duas vezes na semana passada. Tentamos falar com os vereadores, mas todos estavam em uma reunião em Belo Horizonte.
Na manhã desta segunda-feira, 3 de abril, retornamos ao prédio do legislativo para ouvirmos as opiniões dos vereadores, após relatos de alguns internautas que se diziam preocupados com um fato curioso, a respeito de um projeto de lei datado em 9 de março de 2017, enviado aos vereadores para se discutir em reunião de comissão um empréstimo pleiteado pelo executivo no valor de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). De acordo com o documento, esse dinheiro seria destinado à melhorias na iluminação pública, revitalização da área central do município e ampliação do Centro Educacional São Gonçalo do Rio Abaixo (CESGRA).
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Ainda segundo o documento, a iluminação das vias seria a troca das lâmpadas convencionais por lâmpadas de led nas vias Avenida do Contorno Oeste, Avenida Central, as Ruas Januária até Ponte do Rio, Uma, Monsenhor Torres, Augusto Pessoa, Henriqueta Rubin e São Manoel até a esquina da Rua Antônio da Manoela.
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O vereador Luiz Gonzaga Fonseca, mais conhecido como “Pelé Fonseca” (PMDB), se manifestou contrário ao empréstimo. Segundo ele, seria uma irresponsabilidade de um vereador votar favorável, caso este projeto entre na pauta de votação. O vereador disse ainda que não vê necessidade em adquirir esse empréstimo, alegando que o município tem arrecadação de cerca de R$ 140 milhões anuais, para uma população de aproximadamente 10 mil pessoas. Segundo Pelé, no projeto não há plano de ação e nem uma justificativa para o gasto e que só fala em impacto financeiro.
Pelé Fonseca foi taxativo ao dizer que não há medicamento na rede de saúde. Segundo ele, São Gonçalo do Rio Abaixo não tem nem água tratada. O vereador relatou ainda que, segundo levantamentos feitos por ele, há mais de 1.500 famílias desempregadas no município. “Com tanta gente sem emprego, ainda acontecem festas no Parque de Exposições, como um leilão do dia 1° de abril, em que gastaram dinheiro público em vez de colocá-lo na saúde da cidade”, criticou o vereador.
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Já a vereadora Maria de Lourdes Guedes Barros, “Lurdinha do Borges” (PRTB), alega que o município está com certidões negativas. Segundo ela, ônibus escolar e ambulância foram doados ao município, mas até hoje a cidade não recebeu os veículos. Segundo ela, até foram tiradas fotos de funcionários da prefeitura recebendo as chaves dos carros, mas estes nunca chegaram à cidade.
Lurdinha conta que esteve com o deputado representante do município e região para olhar essa situação, mas ele não interviu em nada. Segundo ela, este deputado teria afirmado que enquanto a certidão negativa não estiver legalizada, não teria como São Gonçalo receber verbas.
A vereadora diz que é um absurdo os vereadores concordarem e assinarem autorizando o prefeito a contrair esse empréstimo. Ela afirma que os R$ 15 milhões não serão para os saogonçalenses, pois faltam remédios na rede de saúde. Segundo ela, o projeto foi retirado de pauta quando seria estudado na reunião de comissão passada e que possivelmente ele deve retornar nesta semana. “Os vereadores de oposição irão fazer uma movimentação de populares para tentar a não aprovação desse projeto, caso esse entre novamente em reunião”, contou a vereadora.
Lurdinha disse que não vê necessidade na troca do calçamento no centro histórico da cidade. Sobre as lâmpadas, ela alega que em alguns lugares a iluminação precisa ser renovada mesmo, mas que a troca por lâmpadas de led é um absurdo. “O dinheiro pleiteado (R$ 15 milhões) não se justifica”, finalizou.
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Ouvimos a opinião de um cidadão da cidade, o pedreiro desempregado Carlos Camilo Figueiredo, que se manifestou contrario quanto ao empréstimo, segundo ele São Gonçalo é uma cidade que tem uma fonte de renda muito grande, que se fosse bem administrada talvez à prefeitura estivesse mesmo, é com dinheiro até sobrando no cofre publico ao invés de estar tomando empréstimo a bancos, assim evitaria ficar mais endividada como dizem que esta, que o boato que circula pela cidade é que a prefeitura esta devendo bastante, que o resultado disso pode ser a má administração do executivo em suas duas gestões a frente da prefeitura, disse o pedreiro.
A reportagem por duas vezes esteve no prédio da prefeitura para falar com o prefeito Antônio Carlos Bicalho (PDT), mas segundo atendente ele estava em reuniões, que não poderiam ser interrompidas.
Fica aqui o espaço aberto caso a prefeitura queira se manifestar sobre o assunto.
Asnoticiasonline