Com o desemprego em alta, manter as contas em dia está cada vez mais difícil para o consumidor, que está atrasando o pagamento de contas básicas, como a energia. “A inadimplência é uma das mais altas, está acima da média histórica”, disse nessa quarta-feira (16) o diretor de finanças e relações com investidores da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Fabiano Maia Pereira. O saldo da inadimplência fechado em setembro deste ano é de 4,37%, que é o percentual da receita que não foi recebido pela companhia.
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No balanço do terceiro trimestre de 2016 frente a igual período do ano passado, a provisão de créditos de liquidação duvidosa (PCLD) – nome contábil para inadimplência – aumentou 107,8%. “Ficou acima do esperado”, frisou. Ele aponta o desemprego como o principal motivo para o não pagamento das contas de energia.
Diante do impacto da inadimplência no resultado financeiro da estatal, a Cemig vai investir R$ 50 milhões para reduzir a inadimplência no próximo ano. O orçamento foi aprovado pelo conselho. O valor é quase 70% maior ao que será gasto neste ano. “Em 2017, vamos intensificar as ações para combater a inadimplência”, diz.
De acordo com ele, a cada R$ 1 investido no combate à inadimplência, o retorno para a companhia pode chegar a até R$ 6.
O superintendente de relações com investidores, Antônio Carlos Vélez Braga, explica que mensagens via SMS e e-mail são enviadas aos consumidores em atraso, mas o nome também pode ser negativado e a energia pode ser cortada. Conforme ele, o fornecimento de energia pode deixar de ser feito pela companhia ao consumidor que receber o comunicado a qualquer momento. “Não existe um prazo para o corte”, diz, ressaltando que cortar a luz é a última opção.
Desemprego. A costureira Cristina Dias Sacramento, 41, é uma das consumidoras inadimplentes da Cemig. “Desempreguei”, conta. Ela esteve nessa quarta-feira (16) no Super Feirão Limpa Nome, evento do Serasa Consumidor, no Minas Shopping, com o objetivo de negociar e pagar a dívida.
Ela conta que a dívida com a Cemig foi acumulando e chegou a R$ 360. Cristina ressaltou que vai fazer um esforço para pagar a conta da casa em que ela morava, pois deseja ter o nome limpo novamente. (Colaborou Queila Ariadne)


BALANÇO
Lucro líquido mais que duplica
O lucro líquido da Cemig quase triplicou no terceiro trimestre deste ano frente a igual período de 2015, com alta de 159,9%. A estatal contabilizou R$ 434 milhões, enquanto que no terceiro trimestre do ano passado, o lucro foi de R$ 167 milhões. A receita também cresceu. O incremento nesse período foi de 2,3%, totalizando R$ 4,894 bilhões. No terceiro trimestre de 2015, o valor era de R$ 4,784 bilhões.
Um dos principais motivos para o bom desempenho da companhia foi a venda de energia concentrada no segundo semestre do ano. “Foi uma decisão estratégica acertada, já que os preços foram melhores”, frisou o diretor de finanças e relações com investidores da Cemig, Fabiano Maia Pereira. O preço ‘spot’ médio foi de R$ 116,01 por megawatt no terceiro trimestre de 2016, enquanto que, no primeiro trimestre deste ano, chegou a R$ 34,69.
A companhia também divulgou o desempenho do Programa de Desligamento Voluntário Programado (PDVP), que somou quase 850 funcionários – cerca de 10% do quadro total da empresa. “Ainda tem ajustes a serem feitos”, disse.
A estatal, controladora da elétrica Light, informou que vai comprar uma fatia detida pelo banco BTG Pactual na empresa e buscará ainda novos sócios para a concessionária, que é responsável pela distribuição de energia em parte do Estado do Rio de Janeiro e possui ativos em geração.
JULIANA GONTIJO
OTempo